Acabou a burocracia,
Vencida pela democracia,
Todas cracias em batalha.
Não precisa mais de papel.
Agora o mundo voltou a ser dos românticos.
Quem quiser escrever, escreva!
Mas quem quiser informar, jornalise!
Não somos semânticos;
Somos poetas.
No amor pela matéria,
Na paixão pela rua,
Pelo faro da notícia.
Só temos três coisas para oferecer,
Suor, lágrimas e sangue.
———– SER JORNALISTA————
Em uma noite de espetáculo, foi repetida por diversas vezes, pelo protagonista, a frase de Mário Quintana, a célebre frase, de que “A alegria bestializa e a tristeza humaniza”.
Nesta mesma noite, foi cantada uma canção, composta por Fernando Artinelli e Zeca Baleiiro, sobre o atual momento da TV brasileira; chamada por Fernando de perfumaria.
Na canção, foi exaltado, o fato de que a televisão não conhece mais seu público alvo, requisito básico, para qualquer veículo de comunicação.
Hoje este veículo aliena o povo, e no caso de nosso país, sobre grande influência, de um canal; a Rede Globo de televisão.
No documentário “Muito além de cidadão Kane”, produzido pela BBC de Londres, pode-se entender claramente a persuasão imposta pela Rede Globo, em sua grade de programação. Para influenciar o povo brasileiro sem ser percebida.
Trata-se de uma marca que já elegeu o presidente da nação, já fez acontecer o impeachment deste, quando as ações do então presidente, Fernando Collor de Mello, tornaram-se impopulares.
Apoiou o regime tirano, que governou o país por mais de vinte anos – a ditadura militar.
Persegue os homens públicos que não se curvam a seu sistema, como o ex-governador do Rio de Janeiro, já póstumo, Leonel Brizola, assim como o atual presidente da república, Luis Inácio Lula da Silva.
Aquela célebre vinheta – Globo e você tudo a vê; transfigura todo o discurso.
E no mundo jornalístico nem tudo são flores – agora todos nascem e morrem jornalistas.
Neste momento decisivo para o meio jornalístico, pode-se dizer que iremos conhecer quem de fato tem talento, um processo cruel – porém com tiro e alvo certo.
Não sou totalmente contra a lei que triunfou na última quarta-feira no STF; nem tão pouco totalmente favorável. É uma história de décadas.
A corrente que defende o fato da lei ter sido estabelecida em meio ao regime ditatorial dos anos 60, para selecionar quem poderia publicar seus textos – é totalmente válida.
Também deve ser dito que a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) é, há muito tempo, constituída de figurões conservadores. E que a classe em voga está longe de ser unida.
O que mais dói é saber que o PL da LEI que triunfou no STF, é de autoria do Deputado Celso Russomano, do partido progressista; o mesmo partido do Sr. Paulo Salim Maluf – figura extremamente ligada às figuras da ditadura.
Uma ambigüidade total, mas de qualquer modo, já está decidido, não é mais necessário diploma para ser jornalista.
Então o que resta a esta classe que já não tem mais o glamour de outrora, de profissionais que amam o que fazem, e de uma poética diferenciada – é superar-se mais uma vez.
Mostrar que Drummond estava certo quando dizia que escrever é só enxugar palavras, porém, levar a noticia para todos é mais que escrever.
É conseguir falar a língua dos oprimidos, fazendo com que a noticia se torne acessível, para todas as classes sociais.
Fazer que qualquer interlocutor tenha direito de saber o que se passa em sua volta, mostrando que somos todos iguais, lembrando sempre que jornalista é formador de opinião e por isso deve sempre ser imparcial e ter compromisso somente com a verdade.
Aprendendo dia após dia que o interlocutor também faz parte do texto e que sem ele nada existiria.
Então jornalistas – uni-vos e mostrai vossos talentos.
Por que jornalista sabe um pouco de tudo e muito de nada; mas sente um cheiro de notícia a quilômetros de distância.