O poeta e o palhaço

•Julho 8, 2009 • Deixe um comentário

 

Perto do vinho há guerra de palavras na mansidão dos amigos…

Tristonho murcho palhaço do asfalto sonhador,

Heróico poeta poetado de visão real imaginária!

Faca na pizza,

vinho e pizza, combinação angelical demoníaca.

Dizeres de uma mesa que ainda eterna e imensurável,

Abriga a manifestação das nuvens uma vez pisadas. Pisemos!

Dias inimigos derrubam o palhaço de seu picadeiro,

E o poeta sabe o que derruba e derrubou o palhaço;

O picadeiro está iluminado, com dois banquinhos de madeira e uma garrafa de vinho…

O picadeiro está no nada.

E o que é o nada, senão um belo momento?

Mágica de versos mãos no ombro coração na cara!

Puta que o pariu este vinho espera sem a rolha…

 

Lucas Forlevisi 08.07.2009

Manchete

•Julho 8, 2009 • Deixe um comentário

Susto no olhar, no olhar meu agir.

Pálido feito à estação,

motivos de singelos outonos justificariam-me.

Carreteiras lembranças inquietadas pintadas de vermelho escuro,

Trilham a camada de átomos e automóveis.

Sentiram diversas coisas nessa manhã.

Relâmpagos e raios desistentes do solo assombraram essa manhã.

O beijo de lábios acordados e o dançar apaixonado, trouxeram a morte,

vestida de longo, com o cálice da existência sobre as mãos.

- Vamos ver o rio?

A beira da ponte forçava o passo, o passo dela que de cabelos cacheados sobre o vento, tinha medo.

 

No patamar da sobrevivência,

Na altura do desaparecer-se

Perto do Olimpo e a destra de Deus…

Ele a cuspiu sobre a larga rodovia.

 

Ela dançou pela última vez nessa manhã.

 

Lucas Forlevisi 07.07.2009

O passo

•Julho 3, 2009 • Deixe um comentário

Se quieto caminho, encontro a existência…

Da vida de cores a eterna abstinência.

- Não é necessário barulho pra se caminhar!

 

Lucas Forlevisi 03.07.2009

Menina Morena

•Junho 22, 2009 • Deixe um comentário

iracema_hiMenina morena que surge pra mim,

No meio das rosas canta minha canção,

Finge que sabe que estou bem ali,

Esperando alguma reação.

 

Sinto seu perfume exalando,

E sentindo que ela sabe que me aproximo,

Concentro-me com este sentimento,

Que vai me apertando;

 

Confabula com as rosas e eu a observo,

Meu coração é escravo da ternura,

Ó, meu Deus como eu a quero.

 

Sua pureza e beleza são exaltadas nas flores,

E neste jardim onde jubilamos nosso romance,

É que morreremos de amores.

 

 

Felipe 12/05

Mulheres

•Junho 22, 2009 • Deixe um comentário

AnimaçãoExatamente como pediu – Aqui estou!

Vou clamar por uma rebelião, vou exigir isso.

Sem saber para onde correr, vou persistir.

Enquanto você não mudar, tudo vai parar.

Não vai haver natalidade… Todos vão aguardar para chegar.

As estrelas não irão mais brilhar… Para isto terei que subornar.

Mas irei conseguir.

 

Nem que eu tenha que fazer, o mundo parar de girar por um instante.

Eu vou fazer você olhar e se deparar.

Com todo o meu amor… Este amor que é só seu.

Eu sempre vou te amar.

 

Não se pode esperar de uma mulher aquele humor pleno que parece que os homens tanto têm.

Porque a mulher se altera com as fases da lua, porque a mulher vive uma decadência a cada variação de temperatura, porque elas não podem contar todos os seus segredos, porque ainda, neste mundo pós-moderno, elas temem desagradar seus respectivos maridos.

Surge aqui, então, o manifesto dos maridos, que repudiam vocês queridas…

Tão belas e tão ingênuas – coitadas…

Nada sabem sobre sua tórrida vida, sobre o domínio que exerce sobre seu homem.

Insistem em brigar por assuntos já superados, suam por uma labuta já executada.

E como disse Rosseau, tem de ser passivas e frágeis, enquanto seus homens devem ser ativos e fortes.

Escondem-se na fragilidade de uma rosa, para guardar o veneno de medusa.

É extremamente surpreende o domínio que elas têm sobre a arte de mentir, algo cativante – ilusório até para elas.

Elas conseguem viver toda uma vida sobre a mentira, simulando prazeres; Uma brincadeira de mau gosto com seus maridos que tanto se esforçam para agradá-las.

São capazes de suicidar-se na porta do paraíso, com a chave na fechadura.

Têm uma grande dificuldade de relevar provocações.

E sempre acham que estão acima da verdade.

São detestáveis e necessárias…

Como as amo e como as odeio…

Aí que amor… Aí que ódio!

Eu amo minha mulher.

E se ela não tivesse qualquer qualidade mencionada acima, assim não seria.

 

Felipe Andrade 30/04

Plantão jornalístico…

•Junho 22, 2009 • Deixe um comentário

diploma2Acabou a burocracia,

Vencida pela democracia,

Todas cracias em batalha.

Não precisa mais de papel.

 

Agora o mundo voltou a ser dos românticos.

Quem quiser escrever, escreva!

Mas quem quiser informar, jornalise!

Não somos semânticos;

Somos poetas.

 

No amor pela matéria,

Na paixão pela rua,

Pelo faro da notícia.

Só temos três coisas para oferecer,

Suor, lágrimas e sangue.

 

 

                                  ———– SER JORNALISTA————

 

Em uma noite de espetáculo, foi repetida por diversas vezes, pelo protagonista, a frase de Mário Quintana, a célebre frase, de que “A alegria bestializa e a tristeza humaniza”.

Nesta mesma noite, foi cantada uma canção, composta por Fernando Artinelli e Zeca Baleiiro, sobre o atual momento da TV brasileira; chamada por Fernando de perfumaria.

Na canção, foi exaltado, o fato de que a televisão não conhece mais seu público alvo, requisito básico, para qualquer veículo de comunicação.

Hoje este veículo aliena o povo, e no caso de nosso país, sobre grande influência, de um canal; a Rede Globo de televisão.

No documentário “Muito além de cidadão Kane”, produzido pela BBC de Londres, pode-se entender claramente a persuasão imposta pela Rede Globo, em sua grade de programação. Para influenciar o povo brasileiro sem ser percebida.

Trata-se de uma marca que já elegeu o presidente da nação, já fez acontecer o impeachment deste, quando as ações do então presidente, Fernando Collor de Mello, tornaram-se impopulares.

Apoiou o regime tirano, que governou o país por mais de vinte anos – a ditadura militar.

Persegue os homens públicos que não se curvam a seu sistema, como o ex-governador do Rio de Janeiro, já póstumo, Leonel Brizola, assim como o atual presidente da república, Luis Inácio Lula da Silva.

Aquela célebre vinheta – Globo e você tudo a vê; transfigura todo o discurso.

E no mundo jornalístico nem tudo são flores – agora todos nascem e morrem jornalistas.

Neste momento decisivo para o meio jornalístico, pode-se dizer que iremos conhecer quem de fato tem talento, um processo cruel – porém com tiro e alvo certo.

Não sou totalmente contra a lei que triunfou na última quarta-feira no STF; nem tão pouco totalmente favorável. É uma história de décadas.

A corrente que defende o fato da lei ter sido estabelecida em meio ao regime ditatorial dos anos 60, para selecionar quem poderia publicar seus textos – é totalmente válida.

Também deve ser dito que a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) é, há muito tempo, constituída de figurões conservadores. E que a classe em voga está longe de ser unida.

O que mais dói é saber que o PL da LEI que triunfou no STF, é de autoria do Deputado Celso Russomano, do partido progressista; o mesmo partido do Sr. Paulo Salim Maluf – figura extremamente ligada às figuras da ditadura.

Uma ambigüidade total, mas de qualquer modo, já está decidido, não é mais necessário diploma para ser jornalista.

Então o que resta a esta classe que já não tem mais o glamour de outrora, de profissionais que amam o que fazem, e de uma poética diferenciada – é superar-se mais uma vez.

Mostrar que Drummond estava certo quando dizia que escrever é só enxugar palavras, porém, levar a noticia para todos é mais que escrever.

É conseguir falar a língua dos oprimidos, fazendo com que a noticia se torne acessível, para todas as classes sociais.

Fazer que qualquer interlocutor tenha direito de saber o que se passa em sua volta, mostrando que somos todos iguais, lembrando sempre que jornalista é formador de opinião e por isso deve sempre ser imparcial e ter compromisso somente com a verdade.

Aprendendo dia após dia que o interlocutor também faz parte do texto e que sem ele nada existiria.

Então jornalistas – uni-vos e mostrai vossos talentos.

Por que jornalista sabe um pouco de tudo e muito de nada; mas sente um cheiro de notícia a quilômetros de distância.

Acordo concessionário

•Junho 17, 2009 • Deixe um comentário

Não precisa ser caro tem que ser carro.
Simples, Com quatro rodas e incolor,
Que rasgue a serenidade do piche…
E tenha prazer em tal favor!
A exigência… É o amor pela poesia,
Pois a levará todo dia:

A menina de olhos grandes de inocência
Protegerás como maior incumbência!
A paixão já grande e inquieta de lábios da primavera
Dará ordens de percurso, se morrer, ressuscite-se a ela.

Dada a alotropia familiar…
Resta de mãos unidas afirmar:

Não te preocupes serás alimentado,
Andarás de tanque cheio e pé calçado.

Simples… com quatro rodas e incolor.

Lucas Forlevisi 13.06.2009

Destino dos monstros

•Junho 5, 2009 • Deixe um comentário

Arte africana - esgoto

Na tristeza de minha alma,

Sinto um toque de meus delitos,

Talvez se não os tivesse cometido, assim não seria.

Minha alma clama vida,

Esta tristeza atormenta e me destrói, me torna inerte.

Estou condenado, não posso fazer nada,

Apenas o fato de estar aqui me deixa atormentado.

Meu afago não causa reação alguma,

Já não tenho vida para isto, estou em pleno flagelo.

Sou eu, solitário neste mundo, tentando buscar algo.

Repousando nos vales onde encontro um pequeno momento de paz;

Pútrido hálito repugnante que sai de minha boca,

O cheiro do hades de todos os homens,

Meu nome é esgoto, eu os vejo.

Sustento-me, do que defecam.

Sou eu, o lugar onde todos os homens escondem suas impurezas,

Sou o lugar obscuro, onde se joga tudo o que não é mais desejável.

E assim vou me sustentando, dos podres de todas as almas da cidade;

E a cada dia fico mais podre, pois a cada dia os homens se tornam mais impuros.

E quando não houver mais espaço para descartar os monstros,

Talvez assim eles mudem.

E eu não mais exista.

Felipe Andrade 12/04

Poema em quase B

•Maio 26, 2009 • Deixe um comentário

Bicha
Batuca…
Batuca…
- Breca a boca!
Barulho bestial.
Brando, no outro canto tem canto.
Batel de oferenda bate na bruma,
Batelada sagrada na beira-orla.
Bêbada a bicha batuca…
Batuca…
Bosta!
A bicha batuca…
Blefa brinca e batuca!
O blecaute estrelar e a
Bocaina do arvoredo,
Trazem ao centro do espetáculo a bela praia,
Onde a bicha batuca!
Na tristeza do orvalho sobre a areia
O batuque berra com o ocorrido;
O borrifar das lágrimas.
Com amor amarrado, a bicha batucou!

Lucas Forlevisi 26.05.2009

No céu

•Maio 18, 2009 • Deixe um comentário

Em afinidade impenetrável com o verbo e o vento,

Voa!

Voa o pássaro passarinho canoro solitário e destinado.

O pássaro destina-se a quê?

Não perguntemos!

Pássaros são sérios e não se dão à conversas alheias

E papos aleatórios.

Pássaros e passarinheiros são criaturas não muito fáceis de se lidar,

(como alguns humanos).

Os pássaros guardam entre cantos e penas, suas belezas

(que são tantas).

Os passarinheiros, guardam nas gaiolas

(que são tristes)

os pássaros passarinhos.

É proibido confundir passarinho com passarinheiro,

Ambos odeiam quando isso acontece!

Não duvidemos do canto de um pássaro e nem da astúcia de um passarinheiro,

São seres de reflexo contínuo.

O passarinheiro não tem o charme de longas asas,

Imposto então de inveja condena à caça e a ser caçado o pássaro passarinho

Que é culpado, culpado por tão pequenino que é, causar a grandeza bela que causa.

O pássaro é culpado. Condenemos. Ele é belo e canta. Condenemos o pássaro passarinho.

Que me perdoem os passarinheiros, mas eu prefiro a ousadia das gaiolas abertas

E a perspicácia do voo sem grades!

Passeriforme-se passarinheiro!

Pássaros e passarinheiros são criaturas não muito fáceis de se lidar!

Lucas Forlevisi 18.05.2009