Destino dos monstros

Arte africana - esgoto

Na tristeza de minha alma,

Sinto um toque de meus delitos,

Talvez se não os tivesse cometido, assim não seria.

Minha alma clama vida,

Esta tristeza atormenta e me destrói, me torna inerte.

Estou condenado, não posso fazer nada,

Apenas o fato de estar aqui me deixa atormentado.

Meu afago não causa reação alguma,

Já não tenho vida para isto, estou em pleno flagelo.

Sou eu, solitário neste mundo, tentando buscar algo.

Repousando nos vales onde encontro um pequeno momento de paz;

Pútrido hálito repugnante que sai de minha boca,

O cheiro do hades de todos os homens,

Meu nome é esgoto, eu os vejo.

Sustento-me, do que defecam.

Sou eu, o lugar onde todos os homens escondem suas impurezas,

Sou o lugar obscuro, onde se joga tudo o que não é mais desejável.

E assim vou me sustentando, dos podres de todas as almas da cidade;

E a cada dia fico mais podre, pois a cada dia os homens se tornam mais impuros.

E quando não houver mais espaço para descartar os monstros,

Talvez assim eles mudem.

E eu não mais exista.

Felipe Andrade 12/04

~ por andraforle em Junho 5, 2009.

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