Sonho

•Agosto 18, 2009 • 1 Comentário

Foco em meio nariz Tiroteio no palco morre ela imperatriz No ridículo tudo se faz Sorriso para trás Sangue no cartaz Teatreiro capataz Na palavra a rima torta Sentimento não importa Desmanchada feito pétala morta Banhada de verbo e algarismo Escorrega cai no abismo Incomodada com a escuridão ascende no quase inferno um lampião Despertando o guardador de amor que fere seu peito com dor Ela de peito encantado reclama o ocasionado
O amor acabado do antigo namorado Em uma turbulência que foge de qualquer ciência Que trás rancor… 6 horas toca o despertador!

Lucas Forlevisi 17.09.2009

O engraxate de Tietê

•Agosto 12, 2009 • Deixe um comentário

Não se mexe

Nem se deixa ser mexido.

Entre a vitrine de bombas e pingados                 

Sonhos de açúcar derretem na boca do menino…

Na mente a maior inimiga,

Esta vitrine de vidro…

Que impede barra e afasta aquilo

Que o bolso de engraxate e de singelas moedas,

Não consegue capitalizar!

Os doces adocicados de magia

Brilham nos olhos.

 

Do outro lado da rua o homem de sobrancelhas grossas, assenta-se e estica as botas.

- Corre!

Suspensório segura a curta calça.

O menino, que olha doces engraxa-se de sonhos!

 

Lucas Forlevisi 12.08.2009

02 de fevereiro

•Agosto 12, 2009 • Deixe um comentário

Se te amo assim…

Só por bobagem,

Digo que as maiores bobagens

São as coisas do amor,

São bobagens coloridas as coisas do amor!

Se te amo assim…

Digo que raivosamente te amo,

Te amo na simplicidade de um amor

Cultivado no riso, na chuva e na bobagem

Imutável sacanagem!

Grito desespero afeto beijo abraço morteiro,

Olhar boca e orelha, boca na orelha,

Corpo na mão suor no chão

Suspiros e carinhos prateados,

Amor servido à verdade!

Se te amo assim…

Estranhamente amo-te!

 

Lucas Forlevisi 17.02.2008

Imaginação

•Julho 31, 2009 • 1 Comentário

Na maré de minha escrita
Entendi, jamais confundi…
Tamanco com tabaco ou
Lenço com lençol.
Sou criatura criada
De árduo amor, desespero e dor.
Reflexo de escrita não quer dizer paixão vivida!
Riso de boteco som de marreco,
Bar fechado, bêbado uniformizado de poeta.
O medo de em ti pular sentimento, freia todo o alfabeto.
Campainha tocada, nem sempre guarda alguém na porta;
Maldito menino que corre
Maldito menino que guarda amor
Maldito menino que me escreve!
Tenho cuidado no existir os meus
Tenho um pedaço de mim a crescer todas as manhãs
Tenho letras e acentos
(quase nunca acentuo),
Mas assento na pedra da existência.
Piruetemos!
O rabisco é rabisco
Os sonhos moram nas nuvens
Os algodões ressuscitam feijões
E a monotonia do acreditar é sempre bela.
Tomemos chá de inconstância
E cantemos coisas do circo.
Reflexo de escrita não quer dizer paixão vivida!

Lucas Forlevisi 31.07.2009

Cá vive !

•Julho 28, 2009 • 2 Comentários

É vento e magia,

Magia de bom mago magro

Vento de outono.

É olhar luz

Com um olhar de tantas luzes

Luzes… de olhar encantador

Encantadas por um mago magro

Com a beleza do sorriso.

É menina biótipo artístico

De genética poética

Polarizada em afeto.

É fruto esperança

Holofote de dança

Mulher de alma criança.

É vento e magia

Uma noite tardia,

 

É em mim poesia.

 

Lucas Forlevisi 28.07.2009

Desamor

•Julho 27, 2009 • 2 Comentários

 

Não se ri mais a paixão vivida com pés de bailarina ao luar.

Choras-te, na perfeição do quase amor…

Pálido feito a morte e astuto feito si mesmo, o fato do ocasionado rasga o peito e as sapatilhas param por um instante ( a Terra também parou!).

Fostes tão bela nesta história, fostes tão intensa em fotografias de boa melodia

(Silêncio no universo uma bailarina chora).

Arcanjos, serafins e querubins a mandado divino, correm por toda parte a fim de recolher a lágrima de uma também estrela…

A brusca névoa fria apaga o cheiro tão bom de amor!

Lágrima recolhida Terra rodando universo barulhento, sapatilha sapateando vida…

A vida de quem sonha o sonhar dos eternos enamorados.

 

Entre músculos artísticos e poesias labiais,

Ela,

Que é sonhar e mais nada

Baila na Lua.

 

Lucas Forlevisi 27.07.2009

Cidadão de mundo nenhum

•Julho 22, 2009 • Deixe um comentário

img2_poesias_nas_estrelasQuando cai a noite,

Nas cidades bastante urbanizadas, criam-se pequenos mundos.

(Com populações muito pequenas)

Mundo de muitos, mas não de todos.

 

Ascende-se as luzes que são notadas pelas janelas,

(Se desperta a curiosidade)

Entre as famílias há eles e elas,

Pequenos mundos isolados.

 

Nestes mundos há luz,

Mas lá fora existem apenas corpos,

Que vagam sem caminho, sem rumo.

 

Quando cai a noite,

Estes corpos ficam sozinhos,

Como se não tivessem mundo.

                    [Talvez não tenha]

 

E nestes mundos, nas noites,

As portas são fechadas, pois não se aceita mais ninguém naquela noite.

E os que estiverem lá fora vivem com viés de luta.

Pois estes não pertencem a nenhum mundo, são chamados de indigentes.

São como as estrelas na constelação.

Têm companhia, mas estão anos luz de distância, uma das outras.

 

Quando chove, esfria e em alguns lugares neva;

Ali eles ficam vagando… Não se lembrando mais da palavra ‘conforto’

Mas nem só de mazelas eles vivem, ganham muita sabedoria com esta labuta homérica.

E sabem melhor do que os habitantes, o valor de cada mundo.

 

 

Felipe Andrade 19/07

Manifesto da indignação social

•Julho 22, 2009 • Deixe um comentário

indignação social

Prolífero caminho que herdei,

O anacronismo econômico das classes me incomoda.

Não me sinto à vontade com estes sórdidos herdeiros da perversidade social.

Quando vejo os homens ganhando de maneira fisiológica sob a tese do mais forte,

                                         [Aquela tese capitalista de que a humanidade tem uma ambivalência]

Compreendo porque Caim matou Abel.

Pelo prazer escarnecedor da competição; atração do Coliseu.

 

E assim eu vejo… O homem se corrompendo…

Competindo com sua sombra… Vendo tudo a seu redor e encarando como algo normal,

E o mundo escurecendo, cada vez com menos luz.

 

Mas de repente… Surge uma luz…

Esta luz chama-se revolução cultural.

Começando pela aceitação da diferença de gostos;

Tornando-nos heterodoxos… Matando por vês a ortodoxia.

Dando-nos valentia, vestindo-nos de amor…

Luta, batalha com louvor a todo custo,

Com crença inabalável no homem.

Colocando a honra como principal virtude,

E o respeito ao próximo como requisito básico para tê-la.

A fome… Vamos vencê-la… A educação… Vamos multiplicá-la.

 

 

                                                           Felipe Andrade 22/07

 

Piano abandonado

•Julho 22, 2009 • 2 Comentários

piano luzEstava lá abandonado,

Um piano sem muito charme,

Mas exalando boa música.

Apareceu ele encarnado.

 

Negro, muito quieto,

Humilde e desajeitado,

Um olhar muito profundo,

Às vezes com a cabeça pra baixo.

 

Sentou-se no piano e tocou,

Tocou todos que o observou;

A luz parou para vê-lo.

 

Do popular ao erudito,

Ele fez o mais bonito.

Tocou na alma das pessoas.

Nota:  A cidade de São Paulo com todas suas pertubações, ainda sim, guarda aquela poética exaltada por Mário de Andrade  em Garoa do meu São Paulo.

Garoa do Meu São Paulo

Mário de Andrade

Garoa do meu São Paulo,
-Timbre triste de martírios-
Um negro vem vindo, é branco!
Só bem perto fica negro,
Passa e torna a ficar branco.

Meu São Paulo da garoa,
-Londres das neblinas finas-
Um pobre vem vindo, é rico!
Só bem perto fica pobre,
Passa e torna a ficar rico.

Garoa do meu São Paulo,
-Costureira de malditos-
Vem um rico, vem um branco,
São sempre brancos e ricos…

Garoa, sai dos meus olhos.

 

 

           Felipe Andrade 21/07

Apagaram a luz

•Julho 22, 2009 • Deixe um comentário

lampada

Apagaram a luz,

Neste mundo de imundos,

Repleto de moribundos.

 

Da música sem nota,

Da vida de chacota.

Do ser ridículo

De cada indivíduo

De cada cubículo

Sem nada daquilo.

Não vai mais ter luz.

O mundo acabou.

 

                                                                                               Felipe Andrade 14/07